quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mesa de bar, com G. Joseph

E no final, a verdade, irmão,
É que as mulheres,
A cada dia que passa
Mais e mais estão
Presas à libertação.

Bonito é vê-las
de pernas
abertas.

Tarsila

O corpo de Tarsila me entorpece, me deixa de quatro, me faz delirar. Eu queria muito não dizer nessas palavras mas ela foi minha primeira experiência homossexual. E eu gostei, como gostei! 
Antes de "conhecê-la" melhor eu já admirava o seu jeito comovente e simpático. Era muito inteligente e estranha ao mesmo tempo. Tinha mania de preocupar-se com os outros, de entrar em ongs e participar de correntes do bem. Ainda bem que eu não me enganei com aquele sorriso sempre depois das aulas. E com aqueles olhos convidativos dentro do banheiro.
Semana passada eu decidi ligar para ela. Estive pensando em fazer uns esboços, uns rascunhos de estórias, pintar uns quadros. Claro que não poderia esquecer de chamá-la para ajudar-me. Ela tem um certo talento em manusear a criatividade sem deixar cair pingos de consciência ambiental e outras coisas típicas de uma pessoa cem porcento correta. E gostando ou não, esse tipo de ajuda é necessário. 
Nos encontramos na sua casa, ela me convenceu que possuia todo o ambiente propício e os materiais para um bom desempenho nos nossos planos artísticos... Perdi a hora. Só sei que foi lá em meio daqueles pincéis que descobri o que me faz bem. E me arrepia até as entranhas saber que ela vem para minha casa nesse final de semana.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Nada.

Um dia o G. disse que sem inspiração escrevesse algo. Algo que subtende-se  dentro da nossa cabeça, mas algo que está à mostra, 



[algo


E nesse dia eu não escrevi mais nada

Lunática

[...]Em todo esse tempo eu apenas parei. Parei para observar o que me esperava. Só assim pude ver o entardecer entrar pela minha janela, e transparecer sobre a porta. Apenas vi o que restara de uma tarde. E tudo pareceu tão pouco, tão vago. Estava sozinha, e assim continuarei. Na mesma e contínua imensa solidão de uma lunática. Com a mesma chuva que vem e passa. Como a desilusão sobre o final. Tanto a esmo e a de cor, toda vez e toda ode. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Disparidade

No dia que os bons ficaram para trás a multidão fechou os olhos, e os ouvidos que quase não entravam em cena apareciam como fogos e faíscas perdidas no são joão. 
Todos estavam lá. Tão ou menos a parte do que realmente tinha acontecido. Todos corriam parados em mesmo, todos choravam risos fúnebres. E eu fui igual. Não reagi, ou apenas reagi o medo que tive de encontrar alguém conhecido por lá. Isso parece confuso mas na maioria dos acontecimentos desse país é melhor não encontrar alguém guardado em seu pupila, é melhor ter fracasso que vergonha alheia. 
Tão estática que fiquei só consegui olhar de soslaio para o meu lado esquerdo ao mesmo tempo que segurava minha cabeça com as duas mãos. Me atordoa saber que aquele dia não se dissipará tão facilmente, e digo isso porque o homem não tem a capacidade de aniquilar da memória fortes passagens como essa, mas pode amenizar em sua alma. Isso sempre acaba acontecendo com os que vão em diante. Num repente tudo é explosão. Como se Band of Brothers tivesse saído da tela de 21 polegadas comprada a uns três anos atrás. Como se o confronto da Palestina com os israelenses se expandisse além Jornal Nacional. Mas ainda era cedo para definir o que estava acontecendo. A terra não tremeu, nem isso fez com que parecesse artificial. O rádio que estava ligado desde ontem continuo tocando, só a geladeira que era tão antiga que não aguentou o blackout daquela tarde. Os vizinhos saíram primeiro. Ouvimos os gritos. Crianças principalmente. Naquela rua morava muitas crianças. Tinha até um primário perto de onde estávamos. Tudo estava em uma neblina, não dava para ver nada. Vimos fogo, vimos brasas. Em certa de 40 minutos os bombeiros estavam lá. A névoa saía de mansinho, olhamos, olhamos. Procurávamos uma explicação.
Não custou muito para Dave não vender mais os seus produtos. Alta periculosidade naqueles brinquedos. Aquela fábrica improvisada não teve jeito. O expulsamos de lá.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Varanda

No dia em que eu chorei na casa de R. Bitencourt, mais precisamente em sua varanda, senti que o mundo ía desabar. Só que ela me conhece e o antídoto para toda essa maldição do mundo é brigadeiro, como anti-inflamatório. (Eu já uso a reforma ortográfica outorgada no começo do ano.)
Talvez esse foi o único dia em que as cortinas estiveram abertas, e por acaso não para minha visita. Não tive vergonha de brandar com lágrimas meus sentimentos constrangidos em frente a minha doce amiga, que de rosa tem até os dentes. Só que as mágoas que eram minhas nas palavras dela pareciam um carrossel de acasos, apenas. Tive sorte quando naquele primeiro, ou seria segundo (eu nunca vou no primeiro), dia de aula sentei ao seu lado e intimei-a a fazer isso por todos os dias daquele ano.
Não aches que é fácil ter uma pessoa como essa por perto. R. foi pura concordância, raio de sol. Ela quase não está presente nessa cidade, e eu sinto muito. Não por isso, mas por sua ausência ter se tornada rotineira e minha observação da mesma rara.
Todo esse sorriso implacável, ah, como posso esquecer que foi a partir dele muitas vezes que descobri um pouco mais de mim, do meu potencial. Que mesmo sendo uma trágica verdade ela batia em mim como um tropeço de criança.
Definir nunca foi meu forte, nem minha preferência. Amiga, amiga, amiga da qual presenciou diálogos platônicos com casos perigosos, que telefonei altas horas só para poder ouvir sua voz (e diga se estou mentindo), que me encontrou antes de encontrá-la. Talvez não seja a melhor amiga que esteja do nosso lado nessas horas, por coincidência no meu caso, por exemplo, não foi mas tive sorte de ter sido R. Bitencourt.

Meu pouco carinho dedico-te
 nessas poucas palavras,
do jeito que tu gostas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ajuda do G.

"Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço."
Maiakóvski