segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Vulvar

Vulvar, vulvar
É tudo o que me lembro pra te classificar
Vulvar, tem dó
As partes que eu pulei não fazem falta
Estaciona, estaciona, vulvar
E tuas palavras acesas para adorar!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fazer o quê...

Um dia ele disse,
nossos corpos estão
tão próximos
que eu não sei
onde começa o meu
peito termina o teu,

-Não sei porque te disse isso, eu nunca disse a ninguém.
E foi nesse dia em que me apaixonei.

Galhos.

- Sinto saudade.

SAU.DA.DE
(a-u) s.f. 1 Lembrança triste e suave de um bem passado, de pessoa ou coisa extinta ou distante, acompanhada do desejo de as tornar a possuir ou ver presentes. 2 Pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia.

Era exatamente isso que ela sentia por mim. Quando já não há mais para onde ir ela se vira para me observar, seu álibi a condena e eu apenas cultivo esse desejo de que o passado seja mutável.
Foi a última coisa que a ouvi dizer. Depois desses três anos que estivemos longe, essa palavras ecoam sem nenhuma cumplicidade e passam de sentimentos para eloqüências. De qualquer forma, era necessário acreditar em suas palavras. Talvez a sua ausência tivesse tomado proporções que eu desconhecera, mas eu ainda a conhecia nos mínimos detalhes. Da voz ao afago, do suspiro ao sorriso. Desde que ela se foi eu aufiro só más lembranças. Essa minha mente às inverssas provoca esse efeito corrosivo, tão somente meu quão dela. 
Eu tentei provocar a sua volta a uma distância considerável. Me enganei. São só memórias de quando ela estava por perto...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Agora mesmo...

Eu esqueço minhas idéias.
Eu deleto os meus sonhos.
Eu ausento-me de meus amigos.
Eu termino uma frase.
Eu abro os bolsos.
Eu abandono mais um blog.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

psicologia em mão.

Nesse momento?
Prefiro ficar quieta. Dói ver que seu passado foi mais belo que o futuro que o espera. Dói. Fico sufocada, ao mesmo tempo está tão pleno o seu sorriso que me deixo levar. Posso ver que as coisas belas que me refiro sejam uma farsa, e toda farsa uma mera razão. E sei que acabou, e acaba a cada segundo a mais. Ou velas. Tenho medo.
Continuará na mesma posição?
Mas que posição?
'Deixar levar'?
Talvez, mas esse termo nunca foi um dos meus favoritos. Mesmo que a realidade da minha vida estabeleça esses tijolos com falhas, continuarei a dizer que não são eles os ideais, e tentarei fazer com que não sejam. Irei impor-me da melhor maneira, da minha. Em prol da minha felicidade. Até consigo pensar em não só na minha, mas na nossa. Ele tem esse efeito.
E o que ele acha?
Acha que estamos em transição, mas nunca estivemos tão confusos. Ele relata tudo como se fosse eu, mas na verdade eu me escondi nas palavras, e minto. Minto para ele, para seu bem.
Então está tudo acabado?
A única coisa que imagino é que nada nunca aconteceu, e enquanto estiver assim estarei feliz.

redoma.

Tive medo quando os vi, quase parei, mas prossegui. Nesse mesmo dia já me conformaria com todas as causas de estar ao lado dele. Do meu amigo vermelho. Sei que estou mais longe do que já estivera durante anos, mas mesmo assim me sinto densa em esperá-lo. Todos os dias que o perdi de vista voltei para casa tentando compreender todos esses acontecimentos, mas já era tarde, ele que estava a minha espera...

-Oi.
-É, oi, como 'cê tá?
-Por que esteve me seguindo?
-Bom... seguindo, como assim?
-Percebes agora minha esquiva?
-Mais do que nunca.
-E por que não cessas?
-Seria cedo.
-Cedo para quê?
-Chegar mais uma vez em casa.
-E por que eu?
-Porque você sempre me surpreende.
-Não achas que já basta?
-Nem um pouco.
-Você que acabou com nosso caminho.
-Nunca existiu nosso.
-E você com essa desilusão.
-Por que não me forças a parar?
(silêncio)
-Porque tentarei querer-te.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Afinal, espaço

Dedicando mais uma vez um espaço ao meu pouco raciocínio ou tempo.

Para mim foi fácil entender toda a confusão que comecei, até diria que compreensível. Mas não para os outros, ou as vítimas. Esses morrerão sem poder pronunciar seus
comentários sobre mim, ou talvez a farsa que eu pareço ser.

Com a mesma conversa de amizade eu inicio essa trajetória.

Sempre tive uma grande facilidade em arrumar amigos. Sempre se impondo sobre assuntos gerais, com minha alta capacidade de comunicação, e uma oratória quase plausível, nunca fui de deixar em escanteio ninguém que estivera ao meu lado. Lembro-me bem de
muitos casos que eu fui o ponto de transação da timidez. Sempre tão aberta para recebê-los, para convencê-los que é necessário um bom entrosamento, vínculos sociais. Claro que vale relevar os casos de pessoas muito próximas, pessoas que acabei tendo que deixá-las de lado. Talvez para que elas pudessem continuar com seus ciclos sem alterações, por minha causa. Ou mesmo por eu já não servir mais para nada. Mesmo com a grande utilidade de uma ponte para uma volta, ou apenas para uma mudança. De caminho, de caráter, de personalidade. As pessoas que conviveram comigo por muitos anos sabem que de qualquer maneira acabo as influenciando. Elas passam a não se preocupar com o falam, ou até o pensam. Pois bem, já vi casos de pessoas que se envergonhavam até pelo o que pensavam. Talvez por alta sensibilidade de interpretação do observador, a transparência, ou pelo mero fato de se culparem por seus pensamentos sujos e injustos. Todos levaram consigo a idéia contrária a essa. Digo que até a aperfeiçoaram ao decorrer do tempo, me ajudando, os ajudando, ajudando a tantos outros que ainda virão. Se eu ainda conseguir segurar esse porte de revolucionáriazinha contraditória medíocre, que aprendeu ao longo desses poucos anos, a não só pensar o que gosta, mas a agir como deve. Dentre os padrões que a leva a ser quem é. Sem princípios titulados como dogmas, sem crenças, sem consolos nem fé. A conformar-se de quem é e prosseguir sem arrependimentos. A mudar a vida e o destino para sobreviver nesse mundo que pouco oferece a ela. Uma cama, um TV? Nada bastaria para mim, por isso me adapto ao necessário, muitas vezes à força, poucas a coragem. Deixando de lado o medo, sempre que as luzes se apagam. Eu virei Maély quando tinha apenas 11 anos, ou antes, pois não tenho total certeza de datas, talvez eu já tivesse virado, mas nunca pude perceber como nos 11. 11. Número bem mais que vago, meu primeiro número. Onze anos para os onze anos, onzes dias para a primeira (trans)formação, onzes vezes para explicar, onzes ditos e falados, onze deles e onze delas, onze meus e onze roubados. Ou cativados. De lá para cá, tudo piorou, até preocupo-me com o que direi. Mas estou aqui.

Eu admito. Sempre precisei de amigos. Talvez meu jeito e o modo como tratasse as coisas com meu ar de arrogante e orgulhosa não deixou transparecer toda a minha obsessão pelo contato humano, meu desejo de estar cada vez mais perto. Ao lado. Mas eu sofri, sofri por todas as perdas. As perdas nunca desfeitas. Os minutos das várias lágrimas escondidas debaixo do cobertor, dos detritos do dia. Da minha paixão em tê-los.

Como me considero hoje depois de tanto tempo? Um pouco cansada de ter que suportá-los. É verdade, há bens que se acabam, mesmo que surtindo enfeito durante vários anos. Eu os cuidei como se fossem as minhas flores de jardim, as que devemos regá-las, amá-las. Todo o problema foi que, como são de jardim, só serviram para enfeite. A decoração da minha farsa. No final essa é a conclusão. Uma boa aparência. Nem tanto só para mim. Para os que me forçaram a obter. Mas o pior de tudo. Nunca houve um jardim, e sim um vazio imenso que hoje urge para que seja preenchido. Por alguém.

Com as meninas sempre tivemos todas aquelas crises, de percepção, de idade, de amizade. Nunca pude me abrir com nenhuma delas. Nunca houve alguma que pudesse me satisfazer para com as confissões, as dores e os remédios. Todas não passaram de colegas. Mesmo com todas grandes amigas que tenho hoje, e agradeço para o acaso que as pôs em meu caminho, não tive grande sorte de conhecer a substituta da minha própria máscara. Talvez seja melhor assim. Com isso adquiri um hábito de achar que todas essas cara-metades que as garotas tinham fossem farsas que passam e são substituídas por outras, tantas e tantas vezes. Como percebi isso durante esses três anos... Meu hábito mesmo que aplicado apenas a mim, talvez chegue a ser verdade. E é o que acredito. Não que eu tenha sido deixada de lado, sempre mereci observá-las apenas de longe. O que teria adiantado se eu me tornasse uma delas? Continuado a substituir por outras? Outra da nova sala, do novo clube, do novo grupo. A questão da substituição sempre me pesou. Seria eu insensível com os sentimentos do ser humano ou apenas tenha uma grande sobriedade em acreditar que grandes amizades não são de pouco prazo? Até acredito que sejam iguais ao amor. Exceções à parte. O que não surgirão comentários adiante. Mesmo com essa mente sã, tanta teoria, para quê? Sofro. Sofro porque não me entrego. Não me entrego às traças que corroem as veias da sociedade. Hoje não tem mais o que fazer. Sofreria mais ou do mesmo jeito do que antes. Já me acomodei a minhas idéias sobre essa falsidade explícita. Prefiro agora só descrever como tantos caem nessa.

É, sei o que deves estar pensando, eu também me acho como ‘uma que não aprendeu o valor da amizade’ ou ‘a que não descobriu a verdadeira amizade’. Não sinta pena. Apenas tentem compreender como lidei com isso por tanto tempo e como lido até hoje. O que importa? Diga-me que você me ama que eu o amarei. Apenas uma troca recípocra. Mas nem sempre foi assim. Hoje terá que ser.

No caso dos meninos, eles obtiveram mais pontos; no quesito calor humano, com aqueles braços e tônus muscular, no quesito confidências, por acreditar que os homens nunca se importariam em não contar nada, ou compartilhar, algo que foi dito e que necessita de sigilo. Porém, eles devem ser o meu maior erro, minha decaída. Em primeiro lugar, e para ser mais direta, meninas que fazem muitos amigos é fácil perceber que elas devem ter/estar fudendo com algum deles. Ou procurando. Foi sempre isso que me disseram, foi sempre isso que passou por minha cabeça. E eu, como me comportei? Fazendo amizades com que eu pudesse conter meus devaneios, um porto seguro. E dentre eles, os meninos. Todos eles, os meninos. Sempre me apeguei a eles pelo fato de não terem (mesmo que hoje existam tantos encaixados nesse perfil) frescuras com o ser físico, com padrões, com regras. Ou melhor, sempre preferi os mais liberais. Tudo ou todos que fossem liberais. Só com esses eu poderia me jogar de um prédio, assegurar meu bom estado mental, se tudo isso interfere... Claro. E adivinhem. Eu encontrei-os. Isso destruiu o alicerce, mesmo com o progresso do patamar. Os primeiros foram os melhores, como se qualquer primeira vez fosse a melhor. Fiz tudo o que tinha vontade. Falar, agir, interferir. Sem cobranças, sem anseios. Acostumei-me. E com isso, os que restaram já não me viam da mesma maneira. Os novatos me olhavam de soslaio. Eu apenas aceitei. Virei putinha para eles. Usavam-me como mais um de seus objetos escondidos debaixo da cama, atrás do guarda-roupa. Guarda-sentença, melhor. Já não tinha o que fazer, nem a quem ir. Por isso que deixei levar, achando que algum poderia sentir essa minha necessidade de estar perto deles, de ter a segurança de poder fazer o que achar melhor sem ter que dar explicações, na maioria dos casos igual a eles. Até que um dia eu escutei um deles dizer que eu não passava ‘desse tipo mulherzinhas...’. Não surpreendo-me tanto em isso ter me afligido. Eu já esperava, mas a chegada sempre é tão abrupta. Esse é um dos motivos para tal aquilatar. Já sabendo da suposta reação de algum, eu já tinha me enfiado no mundo dos mais experientes. Os caras mais velhos já faziam parte de uma sobrevivência. Até hoje eles me intrigam, eles me fazem percorrer seus caminhos sem volta, sem início. Estou perdida com eles, eles se perderam em mim, e espero que continue assim, até que possa haver melhoras. Concluindo, resposta. Grandes problemas com tudo isso. Esses sim sabiam o que significava pressões, ansiedade, indiretas. E aplicá-las também. Até que um dia reduzi o número de caras ‘fodas pelo tempo’ na minha lista de apóio. Mesmo com todas aquelas propostas indecentes, aqueles resíduos de sedução, e conflitos pendentes. Consegui. Esse foi outro motivo em prol de esclarecimento aos meus próximos personagens.

Continuo a preferir os homens. Pelos motivos mais óbvios ou mais estranhos que possa haver. Ainda os tenho como bem ou como mal. Vocês nem sabem como é complicado lidar com essas sementes. Às vezes as rego, mas não deveria fazer isso. Sei muito bem que não. Restou para mim uma grande solidão, poucos amigos de verdade, traumas de infância, muitos casos ou cousas. Mas nunca o que sempre esperei. Ainda não acabei. Talvez eu só estivesse criando coragem para chegar aqui. O grande motivo. Com ainda minha sobrevivente afeição pelos garotos, continuei a fazer amizades. Contadas em apenas uma mão, uma mão no bolso. Mas nessas amizades eu precisava de algo mais do que confidências, e algo que ultrapassasse o sentido de calor humano. Uma grande parte desse último ano me concentrei a absorver esses casos. Então, tudo seguia-se metodicamente. Eu fazia um amigo. Acreditava que ele seria meu ponto forte, quando necessário usar. Me entregava de corpo, alma. Em pensamentos e sonhos. Era o que eu ainda tinha em mãos. Sempre com meu lado destemido de abrir as páginas da vida. Os confundi. Os dei esperanças erradas. Confundi-me. Apaixonei-me por ser errante. Sofri, os fiz sofrer. E desfazia um amigo. Seqüência bem parecida comigo. Todo sim tem seu progresso para se ver como um não. Caótico. Mas nem sempre as reações seguiram essa seqüência, nem ao menos foram as mesmas. Nem o final. O que me preocupa é o trajeto que temos que enfrentar até decidirmos o que fazer, onde parar. Isso não só me preocupa, isso me tortura a cada instante, a cada momento. Agora. Sempre vou agradecer por essas pessoas que apareceram na minha vida. Pois em cima de tudo foram os meus melhores amigos, eu pude ser quem eu sou, mesmo acarretando tais conseqüências. Espero que isso não pendure por toda a vida. E que um dia eu esteja certa em confundir amizade com paixão, amizade verdadeira com amor. Talvez seja a mesma coisa. Mas requer algo mais. Os lábios, todos os lábios para maior prazer. Ou não. Em poucos momentos pude apenas ser eu mesma, e nessas poucas horas eu fiquei feliz. Feliz em descobrir que pude imaginar um final invejável, um final que não depende do que tenha acontecido. Mas não tão feliz pela esperança.

Ao teu caso, devo ter explicado
Que leva ao meu mais novo fracasso
Que leva você para o outro lado do rio
Que leva e já levou.
Amigos ou vento?

terça-feira, 15 de julho de 2008

O fora?

Dedico ao meu querido amigo Guilherme. Pelos motivos os quais o devo.

Eu não esperava mas ela disse que já deu.
-Dei, e tu agora cai fora.
Não esperava que fosse desse jeito, e por um momento hesitei em acreditar no que ela dizia. Quase morri quando ela se referiu a mim com o seu jeito lacônico que toma conta de sua personalidade, a pobre até concorda que ser lacônica é ruim, mas nem percebe que ela é pior do que direta, ela é estranguladora, sufocadora. Mas não posso julgá-la por essa característica, pois não a vi usá-la a não ser comigo. Pode ser uma má interpretação e até espero, talvez ela, por segurança, se impôs assim em frente a mim. Cai nela, e o pior é que não foi sobre. Talvez ela tenha conhecido um qualquer que a seduziu, e como não pude ensiná-la a arte de esquivar-se acabou se entregando. Como também faria. Se fosse-me concedido a oportunidade. Não, minto. Já estou contido nesses emaranhados, e mesmo assim, receio de não ser com ela, minha apalpável e sempre caso platônico. O pior é que possa ser um vizinho, um vizinho daqueles que se conhece desde a infância e que não mora na casa ao lado, mas na casa a frente. Um daqueles vizinhos que sempre a acompanhava até a porta de sua casa, e com aquele sorriso sutil como ar de pedido para entrar. Entrar não apenas na vida, conseqüentemente não só na vida dela, na minha também, mesmo que imperceptível para ele. Comecei a odiar o cara que a fez trocar-me por ele. Odiei-o por esse simples motivo, que espero eu, muitos também odiariam. Odeio pelo o motivo comum de todos, para melhor dizer. E porque ainda ficar preso na ilusão de que ela foi e será o melhor caso? ‘Ela já está um passo a frente de mim’, o termo que sempre usei quando menor para classificar as pessoas que tiveram a graça de contemplar tais prazeres da vida. E ela soube contemplar e usufruir desse prazer. Mesmo com a sua vaga existência. Sinto-me até lisonjeado de conhecê-la, também, com nossos mundos tão abertos, poderia até vê-la em transe. Mas, não deu. Não, também não é isso. É que não deu para ela me dizer os detalhes. Um dia pedi-lhe que quando isso ocorresse ela me conta-se todos os detalhes, não para eu imaginar-me em seu lugar, mas tínhamos essa mania de compartilhar todos os nossos acontecimentos, e por ambas as partes esse acontecimento era o mais esperado. E ela me negou isso. Enquanto ela está no auge de todas as idades, e digo o início da “carreira”, com aquela cara de menina e um corpo muito mais do que caliente... Talvez tenha uma pitada de cérebro no seu corpo, isso é visível. Toda aquela maquiagem de sua mãe e calça jeans justa que desclassifica os seus tênis sujos, toda aquela mãnha com a ciência quântica e a trigonometria, e em cima de tudo o seu translúcido olhar. Aliás, lembro-me de um fato que ela havia me contado anos atrás sobre o seu olhar, ele não é apenas notável por aquele que consegue encontrá-lo mas quando fazia o 6º ano, em uma brincadeira esquisita de sua professora louca de Inglês,a professora pedira para que um menino dissesse qual era o olhar mais belo da turma, e Fernando, o tal, a citou. Alguns concordaram e até ‘zuaram’ com Fernando por ter a escolhido, não me surpreende que eles tenham trocado beijos aulas e intervalos anteriores. Mas é. O seu olhar deve ser navegável. Voltando assim a mim, um cara sem futuro, sem dinheiro, sem caráter e grosso, que luta para entender o que a gramática veio fazer na Terra durante a minha vida, em meus longos e entediantes 17 anos, acabando de me alistar na porra do exército (Pena que não tive tempo para fazer amigos confiáveis durante esse período que nasci e ontem – o dia em que me alistei - para que eles com suas influências me tiram-se disso. Eu não tenho jeito nem para levantar-me cedo.), ainda estou aqui, a afundar nessa areia sem fim. Tentando compreender não só o que eu vivi, mas o que está bem na minha frente (pode-se contar dentre elas os acontecimentos que ainda não vivi). Pergunto-me por que ela teve que ser tão rápida. Tão estupidamente rápida e precisa. Por que não fui eu quem desfrutei do seu doce sabor, de seu pescoço fenomenal. Eu estive a falar com ela no dia que tudo isso aconteceu, ela me disse passo-a-passo o que faria, dizia-me que era preciso fazer isso, que ela necessitava. Eu apenas concordei por motivos óbvios, só que eu não voltei a falar com ela depois daquele dia. E só hoje fico sabendo disso. Eu devo ter culpa em deixá-la escapar das minhas mãos. Às vezes, até imagino que tenha sido por causa de sua cidade, aquela cidade fudida. De sua vida, pouco conturbada. De seus pais, que mesmo presentes, nunca se referiam em que ela acabou se tornando. Não, não, não. O que estou dizendo? Não os conheço. E que me lembre bem, seus pais eram até preocupados com ela. A separação a afetou completamente. E eu nunca concordei com isso. Isso a tornava fraca. Ela explicava-me de início que se trancava e não saía na rua para encontrar amigos porque era transtornada com os fatos que ocorreram, então fez um grande companheiro. O seu computador. Os as suas revistas pornôs. Quando não está para a direita, está na esquerda. Nunca soube ao certo o que ela fazia no seu grande tempo livre. Talvez não fizesse nada, ou talvez fizesse tudo e gostava de ludibriar-se dizendo que ela era a coitada, a vítima de tudo que aconteceu. Sua mãe é bem conceituada, e fez leituras (que por acaso passaram para a filha) que até hoje procuro nas livrarias. Uma busca insana para a estaca zero. Minha cidade deve ser mais fudida do que a dela. Outro fato, e por fim o menos importante foi ela tentar esconder-se da mãe, sobre esse seu contato comigo. Ou com outro. Já disse-lhes, não tenho total certeza do que era. Nem ao menos o controle sobre essa situação eu tive. Ela morava com o pai, e sempre me pareceu que não em boas condições. Um homem no comando. E olhe que eu devia nos defender. Mas é a pura realidade. Acho que ela mentiu sobre isso. Não me lembro de tê-lo citado durante todo esse tempo que nos falamos. É, talvez essa tenha sido a última vez que nós nos falamos. É duro. Para mim, claro. Bem que eu sempre soube que eu não passava de um dos objetos de prazer dela, um passa-tempo bem presenteado por um mundo desconhecido por muitos e forjado pelas circunstâncias. Só que é isso mesmo. Hoje, mesmo que por acaso, antes do fato, o fato consumado, descobri, mesmo sem muito efeito, que ela me trata do mesmo jeito que trata os outros. Cachorra. Não do jeito lacônico, pois considero esse um dos mais inteligentes jeitos que ela possui, mas do que vocativo, com o “amor”. Falávamos desses termos quando nos conhecemos. Os termos iniciais e finais de hipocrisia. Ela deixa-se levar pela pior das maldições e eu passo por insensível. Falsidade na minha cara e para mim. Agora, não mais como os coitadinhos da história também afirmarão que ela foi o mesmo para mim, mesmo eu sendo o que ficou para trás. Atrás do espelho mágico dela. Concordando com esse meu presente errante. Ainda bem que os diálogos via-msn não são falados, e temos tempo absoluto para uma boa resposta, ou para apenas uma blasfêmia. Tomei esse fato como uma ignomínia e tentei não acreditar.
- Apenas seja mais direta.
-Sexo Virtual, meu bem.
Não sabia que esses dias em que a deixei só, foi corrompida por essa modernidade desprezível. Ah, pelo menos que alívio em saber que era apenas um dos atos que praticamos. Ela sempre me pareceu que não gostava dessas banalidades, e isso dói. Pois ela nunca esteve à-vontade comigo nesses atos calorosos (é, eram bem frios em cima, mas por baixo...). Ela conseguiu encontrar alguém com que se identificasse mais do que eu? Eu não serviria mais? Não, isso já é paranóia. Ela me adora, e eu a adoro. Mesmo que ela encontre outro, e isso também é bem claro para ela se eu encontrar, nunca tomará o nosso espaço. Pois qualquer que seja as semelhanças aplicadas, serão desfeitas ao passar do tempo. Uma básica regrinha de três. Tudo acaba com as palavras belas pronunciadas pela fêmea que as diz, são idênticas e doces. Aqui fica um dos meus casos inacabados. Tendo muito a dizer, não mereces que eu prossiga, mesmo assim talvez ela tenha me traído e não tenha contado para não me magoar, como ela me ama... Corno!

p.s.: trabalhei como um Trudoliubov, como tinha dito-lhe.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

.

sem idéias (~)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

~

Um dia você saberá o que me força a escantear-te, a tua influência sobre o ato é bem maior do que imaginas, mas isso porque sou fraca e acho que continuarei sendo...

Ao G*

Com todas as minhas dúvidas, acabo caindo no mundo do G*, com as dúvidas de uma vida nada conturbada, como quando ele escuta Réquiem do Mozart e se questiona qual a diferença das músicas de hoje para as de tempos atrás. Acho que ele é uma das minhas dúvidas. Um vício a longa distância. Mas só que ele vem com essa de não me compreender, que eu escrevo textos barrocos e que minha inteligência é maior do que a dele, enquanto ele escreve contos dignos de quem ele é, e torneia uma corrida com o câncer com a chegada Morte. Essa sua modéstia não interferiu para nossos diálogos breves e apressados, com aquele gosto de "pode ser que ele volte a me responder...". Concerteza da nossa amizade surgiram frutos bons, com todas aquelas influências musicais que ele trazia, a música erudita! Até me fez perceber a diferença entre a música de Cage e de Stockhausen, nada que uma infância não explique. E olha que a mãe dele andou lendo Goethe, enquanto a minha ler aqueles livros de "Mulheres boazinhas não ganham dinheiro". E com um precursor como Nietzsche, que mesmo não fazendo a sua máscara que ele anda pelas ruas, tentando achar o colégio, foi um início bem mais a minha cara. Aí a amizade foi crescendo com altos e baixos, pois viver nessa multidão sem ninguém que a gente vive, não é fácil. Confiar em alguém é praticamente tão fácil quão escovar os dentes. E veio o liberalismo agudo. Como aqueles relatos da vida íntima e amorosa, os desejos e as reticências. A nossa vida mudou depois da intimidade. E até eu que não me abro completamente com ninguém (pode ter certeza que ainda há coisas implícitas dentro de mim) confiei nele como não confio em meus amigos reais, até porque não sei se ele é real. G*, você é real? Eu sei ficar a vontade com ele, ele me conhece como ninguém. Mesmo com o nosso contato virtual e nossas poucas horas de imagens não vistas, fico a imaginarmos com novas experiências (ele vai saber o que estou dizendo), com aqueles gestos questionáveis pela sociedade. Quando nos veremos? Talvez não por um bom tempo. E com tudo isso criei uma vontade de escrever uma monografia sobre as relações e vínculos que o mundo virtual estabelece. E o G* estaria lá, como a minha prova.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Novo amante

Devo estar cometendo um grande erro em dizer que com um novo amante vem-se uma nova conclusão, pois bem, não hoje, mas com ele vem a espera, a irmã mais próxima da esperança. A palavra certa para esse estado é vulnerabilidade, e enquanto isso, em queda livre a observação da iluminação que toma o meu quarto eu, como de propósito, analisava minha vida amorosa, acabara minha desilusão de um de meus casos sem rotação, e como as imagens consegüentes da iluminação, o amante conseqüente da desilusão. Eu sempre achei melhor plantar os amores platônicos, pois os outros casos, reais, me tomam a paciência, me preucupam, requer muito de ambas as partes, dificuldades que esquivo-me, mas não porque os amores platônicos são os mais improváveis. Pena que para o meu novo amante, mesmo que o próprio seja desconhecido, não posso contar mais nada sobre o que ele me fornece. Porém, é a momentânea a minha atitude, e o que de costume será um ponto final a nossa amizade, esperadamente...

Memórias

Não pude vê-la, por incrível que pareça, não por vontade própria, mas por precaução, de outra morte. Tivemos muitos problemas na noite anterior desde que ela partiu, os quais só lembraram conflitos anteriores em que por cima de todas aquelas palavras mal passadas e costuradas com laços cortados bem antes do imaginado, ainda era visível sua presença, a presença dela, embaixo daquele tapete empoeirado, daquela mesmice acomodada como todas aquelas garrafas armazenadas em seu dia-a-dia, a espera do mesmo líquido, do mesmo veneno que lhe obrigavam a tomar. E ela breviamente tentava-nos mostrar a farsa que estava em sua cama, bem ao lado da cadeira qu'eu estava, bem ao lado de tudo que era óbvio. Mas deixei-a partir, partindo-me também, por todos aqueles remédio que tomara, morte súbta. Seu caminho ainda possui passos a dar, se não por ela, por mim, conseqüentemente, por minhas observações tomadas adiante...

domingo, 29 de junho de 2008

Vaga existência

[...]E nesse inverno sem fim me sinto como se estivesse em um saco plástico, e o pior é que ainda não sei se passarei muito tempo a decompor-se junto com o plástico ou se o oxigênio existente já acabou enquanto tento decifrar meus pensamentos embaçados pelo momento. Porém, vejo que se ainda estiver por aqui enquanto proferir tais palavras a mim mesma, saberei que o mundo por fora do meu saco não está realmente do jeito que o vi pela última vez, com aspecto desbotado pelo homem, cheiro inevitável por si próprio e consolo transbordante. Tudo por um fim próximo e provável catástrofe. A espera, a espera. Tudo que esperamos está dentro de uma espera maior, e ao invés de notarmos isso, ficamos parados em frente as TV's de monotonia espiritual. Mas se realmente estiver pior, receio já não possuir bastante tempo para poder induzir mudanças por aqui em diante, e como lágrimas jamais derramadas, a neblina passará, como resposta a minha vaga existência...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sofrimento antecipado

Sofrimento antecipado: eis algo com precariedade em interrupções. Tento esquivar-se desse preucupação, o que acaba sendo nulo desde o momento em que pensar vira proliferação, e como hábito corrosivo, desistir seria uma saída. Sinto que a antecipação faz progressos irreversíveis e toma-me pelo braço, a força, sempre em direção contrária. Espero apenas que cesse esse tormento que chega a ser perseguição para que só assim possa sorrir novamente, como nos velhos tempos de criança...

Outro, o blogueiro

[...] Depois daquelas palavras que de tão simples pareciam tão pouco a se preucuparem com a expressão não consegui me conter em recitá-las como personagem principal, a musa da pura inspiração do autor. Ele sempre soa a diversidade de idéias como os ponteiros de relógios, que avançam minuciosamente rastreando quaisquer se estejam em sua frente, e mesmo sendo repetitivo em seus hábitos, suas manias, ele não restringe manifestação que me englobam e que até você pode estar presente se bem posicionada. Ainda me resta vê-lo em mãos-à-escrita, como um bom e qualquer escritor que procura o pão de cada dia, com o cotidiano café aos seus pés. E se me lembro bem, a neurastenia do ser que ainda está prestes a entrar em colapso, onde possa só assim mostrar-se ao mudo como o único incisivo. Agora, os meus pontos fracos me atormentam, acabo de querer dar para um fantasma, um cara que nem se quer sabe o formato do meu pescoço, continuo a achar um desejo alheio para substituir esse que vale mais que talheres na mesa, só que isso pendurará meu caminho...