Dedico ao meu querido amigo Guilherme. Pelos motivos os quais o devo.
Eu não esperava mas ela disse que já deu.
-Dei, e tu agora cai fora.
Não esperava que fosse desse jeito, e por um momento hesitei em acreditar no que ela dizia. Quase morri quando ela se referiu a mim com o seu jeito lacônico que toma conta de sua personalidade, a pobre até concorda que ser lacônica é ruim, mas nem percebe que ela é pior do que direta, ela é estranguladora, sufocadora. Mas não posso julgá-la por essa característica, pois não a vi usá-la a não ser comigo. Pode ser uma má interpretação e até espero, talvez ela, por segurança, se impôs assim em frente a mim. Cai nela, e o pior é que não foi sobre. Talvez ela tenha conhecido um qualquer que a seduziu, e como não pude ensiná-la a arte de esquivar-se acabou se entregando. Como também faria. Se fosse-me concedido a oportunidade. Não, minto. Já estou contido nesses emaranhados, e mesmo assim, receio de não ser com ela, minha apalpável e sempre caso platônico. O pior é que possa ser um vizinho, um vizinho daqueles que se conhece desde a infância e que não mora na casa ao lado, mas na casa a frente. Um daqueles vizinhos que sempre a acompanhava até a porta de sua casa, e com aquele sorriso sutil como ar de pedido para entrar. Entrar não apenas na vida, conseqüentemente não só na vida dela, na minha também, mesmo que imperceptível para ele. Comecei a odiar o cara que a fez trocar-me por ele. Odiei-o por esse simples motivo, que espero eu, muitos também odiariam. Odeio pelo o motivo comum de todos, para melhor dizer. E porque ainda ficar preso na ilusão de que ela foi e será o melhor caso? ‘Ela já está um passo a frente de mim’, o termo que sempre usei quando menor para classificar as pessoas que tiveram a graça de contemplar tais prazeres da vida. E ela soube contemplar e usufruir desse prazer. Mesmo com a sua vaga existência. Sinto-me até lisonjeado de conhecê-la, também, com nossos mundos tão abertos, poderia até vê-la em transe. Mas, não deu. Não, também não é isso. É que não deu para ela me dizer os detalhes. Um dia pedi-lhe que quando isso ocorresse ela me conta-se todos os detalhes, não para eu imaginar-me em seu lugar, mas tínhamos essa mania de compartilhar todos os nossos acontecimentos, e por ambas as partes esse acontecimento era o mais esperado. E ela me negou isso. Enquanto ela está no auge de todas as idades, e digo o início da “carreira”, com aquela cara de menina e um corpo muito mais do que caliente... Talvez tenha uma pitada de cérebro no seu corpo, isso é visível. Toda aquela maquiagem de sua mãe e calça jeans justa que desclassifica os seus tênis sujos, toda aquela mãnha com a ciência quântica e a trigonometria, e em cima de tudo o seu translúcido olhar. Aliás, lembro-me de um fato que ela havia me contado anos atrás sobre o seu olhar, ele não é apenas notável por aquele que consegue encontrá-lo mas quando fazia o 6º ano, em uma brincadeira esquisita de sua professora louca de Inglês,a professora pedira para que um menino dissesse qual era o olhar mais belo da turma, e Fernando, o tal, a citou. Alguns concordaram e até ‘zuaram’ com Fernando por ter a escolhido, não me surpreende que eles tenham trocado beijos aulas e intervalos anteriores. Mas é. O seu olhar deve ser navegável. Voltando assim a mim, um cara sem futuro, sem dinheiro, sem caráter e grosso, que luta para entender o que a gramática veio fazer na Terra durante a minha vida, em meus longos e entediantes 17 anos, acabando de me alistar na porra do exército (Pena que não tive tempo para fazer amigos confiáveis durante esse período que nasci e ontem – o dia em que me alistei - para que eles com suas influências me tiram-se disso. Eu não tenho jeito nem para levantar-me cedo.), ainda estou aqui, a afundar nessa areia sem fim. Tentando compreender não só o que eu vivi, mas o que está bem na minha frente (pode-se contar dentre elas os acontecimentos que ainda não vivi). Pergunto-me por que ela teve que ser tão rápida. Tão estupidamente rápida e precisa. Por que não fui eu quem desfrutei do seu doce sabor, de seu pescoço fenomenal. Eu estive a falar com ela no dia que tudo isso aconteceu, ela me disse passo-a-passo o que faria, dizia-me que era preciso fazer isso, que ela necessitava. Eu apenas concordei por motivos óbvios, só que eu não voltei a falar com ela depois daquele dia. E só hoje fico sabendo disso. Eu devo ter culpa em deixá-la escapar das minhas mãos. Às vezes, até imagino que tenha sido por causa de sua cidade, aquela cidade fudida. De sua vida, pouco conturbada. De seus pais, que mesmo presentes, nunca se referiam em que ela acabou se tornando. Não, não, não. O que estou dizendo? Não os conheço. E que me lembre bem, seus pais eram até preocupados com ela. A separação a afetou completamente. E eu nunca concordei com isso. Isso a tornava fraca. Ela explicava-me de início que se trancava e não saía na rua para encontrar amigos porque era transtornada com os fatos que ocorreram, então fez um grande companheiro. O seu computador. Os as suas revistas pornôs. Quando não está para a direita, está na esquerda. Nunca soube ao certo o que ela fazia no seu grande tempo livre. Talvez não fizesse nada, ou talvez fizesse tudo e gostava de ludibriar-se dizendo que ela era a coitada, a vítima de tudo que aconteceu. Sua mãe é bem conceituada, e fez leituras (que por acaso passaram para a filha) que até hoje procuro nas livrarias. Uma busca insana para a estaca zero. Minha cidade deve ser mais fudida do que a dela. Outro fato, e por fim o menos importante foi ela tentar esconder-se da mãe, sobre esse seu contato comigo. Ou com outro. Já disse-lhes, não tenho total certeza do que era. Nem ao menos o controle sobre essa situação eu tive. Ela morava com o pai, e sempre me pareceu que não em boas condições. Um homem no comando. E olhe que eu devia nos defender. Mas é a pura realidade. Acho que ela mentiu sobre isso. Não me lembro de tê-lo citado durante todo esse tempo que nos falamos. É, talvez essa tenha sido a última vez que nós nos falamos. É duro. Para mim, claro. Bem que eu sempre soube que eu não passava de um dos objetos de prazer dela, um passa-tempo bem presenteado por um mundo desconhecido por muitos e forjado pelas circunstâncias. Só que é isso mesmo. Hoje, mesmo que por acaso, antes do fato, o fato consumado, descobri, mesmo sem muito efeito, que ela me trata do mesmo jeito que trata os outros. Cachorra. Não do jeito lacônico, pois considero esse um dos mais inteligentes jeitos que ela possui, mas do que vocativo, com o “amor”. Falávamos desses termos quando nos conhecemos. Os termos iniciais e finais de hipocrisia. Ela deixa-se levar pela pior das maldições e eu passo por insensível. Falsidade na minha cara e para mim. Agora, não mais como os coitadinhos da história também afirmarão que ela foi o mesmo para mim, mesmo eu sendo o que ficou para trás. Atrás do espelho mágico dela. Concordando com esse meu presente errante. Ainda bem que os diálogos via-msn não são falados, e temos tempo absoluto para uma boa resposta, ou para apenas uma blasfêmia. Tomei esse fato como uma ignomínia e tentei não acreditar.
- Apenas seja mais direta.
-Sexo Virtual, meu bem.
Não sabia que esses dias em que a deixei só, foi corrompida por essa modernidade desprezível. Ah, pelo menos que alívio em saber que era apenas um dos atos que praticamos. Ela sempre me pareceu que não gostava dessas banalidades, e isso dói. Pois ela nunca esteve à-vontade comigo nesses atos calorosos (é, eram bem frios em cima, mas por baixo...). Ela conseguiu encontrar alguém com que se identificasse mais do que eu? Eu não serviria mais? Não, isso já é paranóia. Ela me adora, e eu a adoro. Mesmo que ela encontre outro, e isso também é bem claro para ela se eu encontrar, nunca tomará o nosso espaço. Pois qualquer que seja as semelhanças aplicadas, serão desfeitas ao passar do tempo. Uma básica regrinha de três. Tudo acaba com as palavras belas pronunciadas pela fêmea que as diz, são idênticas e doces. Aqui fica um dos meus casos inacabados. Tendo muito a dizer, não mereces que eu prossiga, mesmo assim talvez ela tenha me traído e não tenha contado para não me magoar, como ela me ama... Corno!
p.s.: trabalhei como um Trudoliubov, como tinha dito-lhe.
terça-feira, 15 de julho de 2008
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2 comentários:
:S
foi mal.
o texto ta bom!
gostei disso!
espero que sim.
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