sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ao G*

Com todas as minhas dúvidas, acabo caindo no mundo do G*, com as dúvidas de uma vida nada conturbada, como quando ele escuta Réquiem do Mozart e se questiona qual a diferença das músicas de hoje para as de tempos atrás. Acho que ele é uma das minhas dúvidas. Um vício a longa distância. Mas só que ele vem com essa de não me compreender, que eu escrevo textos barrocos e que minha inteligência é maior do que a dele, enquanto ele escreve contos dignos de quem ele é, e torneia uma corrida com o câncer com a chegada Morte. Essa sua modéstia não interferiu para nossos diálogos breves e apressados, com aquele gosto de "pode ser que ele volte a me responder...". Concerteza da nossa amizade surgiram frutos bons, com todas aquelas influências musicais que ele trazia, a música erudita! Até me fez perceber a diferença entre a música de Cage e de Stockhausen, nada que uma infância não explique. E olha que a mãe dele andou lendo Goethe, enquanto a minha ler aqueles livros de "Mulheres boazinhas não ganham dinheiro". E com um precursor como Nietzsche, que mesmo não fazendo a sua máscara que ele anda pelas ruas, tentando achar o colégio, foi um início bem mais a minha cara. Aí a amizade foi crescendo com altos e baixos, pois viver nessa multidão sem ninguém que a gente vive, não é fácil. Confiar em alguém é praticamente tão fácil quão escovar os dentes. E veio o liberalismo agudo. Como aqueles relatos da vida íntima e amorosa, os desejos e as reticências. A nossa vida mudou depois da intimidade. E até eu que não me abro completamente com ninguém (pode ter certeza que ainda há coisas implícitas dentro de mim) confiei nele como não confio em meus amigos reais, até porque não sei se ele é real. G*, você é real? Eu sei ficar a vontade com ele, ele me conhece como ninguém. Mesmo com o nosso contato virtual e nossas poucas horas de imagens não vistas, fico a imaginarmos com novas experiências (ele vai saber o que estou dizendo), com aqueles gestos questionáveis pela sociedade. Quando nos veremos? Talvez não por um bom tempo. E com tudo isso criei uma vontade de escrever uma monografia sobre as relações e vínculos que o mundo virtual estabelece. E o G* estaria lá, como a minha prova.

2 comentários:

gmm disse...

o G é real.
laconico e real.
e valoriza tua presença legal.

Maély Priscila disse...

;@ por isso que o amo.