No dia em que eu chorei na casa de R. Bitencourt, mais precisamente em sua varanda, senti que o mundo ía desabar. Só que ela me conhece e o antídoto para toda essa maldição do mundo é brigadeiro, como anti-inflamatório. (Eu já uso a reforma ortográfica outorgada no começo do ano.)
Talvez esse foi o único dia em que as cortinas estiveram abertas, e por acaso não para minha visita. Não tive vergonha de brandar com lágrimas meus sentimentos constrangidos em frente a minha doce amiga, que de rosa tem até os dentes. Só que as mágoas que eram minhas nas palavras dela pareciam um carrossel de acasos, apenas. Tive sorte quando naquele primeiro, ou seria segundo (eu nunca vou no primeiro), dia de aula sentei ao seu lado e intimei-a a fazer isso por todos os dias daquele ano.
Não aches que é fácil ter uma pessoa como essa por perto. R. foi pura concordância, raio de sol. Ela quase não está presente nessa cidade, e eu sinto muito. Não por isso, mas por sua ausência ter se tornada rotineira e minha observação da mesma rara.
Todo esse sorriso implacável, ah, como posso esquecer que foi a partir dele muitas vezes que descobri um pouco mais de mim, do meu potencial. Que mesmo sendo uma trágica verdade ela batia em mim como um tropeço de criança.
Definir nunca foi meu forte, nem minha preferência. Amiga, amiga, amiga da qual presenciou diálogos platônicos com casos perigosos, que telefonei altas horas só para poder ouvir sua voz (e diga se estou mentindo), que me encontrou antes de encontrá-la. Talvez não seja a melhor amiga que esteja do nosso lado nessas horas, por coincidência no meu caso, por exemplo, não foi mas tive sorte de ter sido R. Bitencourt.
Meu pouco carinho dedico-te
nessas poucas palavras,
do jeito que tu gostas.

Um comentário:
Bom saber que existem pessoas por aí que ainda sentem a amizade como mais ou menos eu sinto. Hoje em dia esse sentimento é bastante subestimado. Parabéns pela coragem e sinceridade expostas aqui no blog.
Postar um comentário